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éa Trancoso

TÉCNICA E SENSIBILIDADE

"Déa Trancoso é uma cantora de emissão firme, que lembra um pouco Inezita Barroso." O reconhecimento é de Tárik de Souza, crítico de música do Jornal do Brasil. Já o violeiro Ivan Vilela destaca que a cantora "estreou com o pé firme e em alta escala. Sua voz traz uma força que vem não sei de onde... força que faz presença e doçura". Para o pesquisador e também violeiro Roberto Corrêa, a voz de Déa é simplesmente "linda".

Mineira de Almenara, pai e mãe seresteiros, Déa Trancoso não demorou a demonstrar vocação e talento para a música popular. Cresceu ouvindo de tudo no rádio, principalmente cantores como Orlando Silva, Nelson Gonçalves, Clara Nunes, Inezita Barroso, Clementina de Jesus e a dupla Cascatinha e Inhana. Também foi influenciada pelos violeiros, cantadores e foliões do Vale do Jequitinhonha, região conhecida pelo contraste entre a pobreza material e a riqueza da cultura popular.

Formada em Jornalismo pela PUC Minas, Déa também estudou técnica vocal, mas jamais abriu mão da sensibilidade e da emoção em seu canto. Depois de vários festivais e shows, participou, em 2002, do CD O Violeiro e a Cantora, a convite do compositor Chico Lobo, viabilizado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte.

Neste CD, ela canta para violas que desfilam cinco afinações diferentes nos dedos do famoso violeiro, parceiro de Pena Branca e autor de boa parte do repertório, que inclui também clássicos como Um Violeiro Toca (Almir Sater e Renato Teixeira), Estradas do Sertão (João Pernambuco e Hermínio Belo de Carvalho) e Moda da Pinga (Laureano Bandeirante).

TALENTO MÚLTIPLO

2006 - Pesquisadora incansável das raízes musicais brasileiras, Déa Trancoso lança em nível nacional o seu primeiro trabalho solo: o CD TUM TUM TUM. Produzido com recursos do Fundo Municipal de Cultura de Belo Horizonte e Banco do Nordeste, através do Programa BNB de Cultura, o CD chega ao mercado pelo selo independente TUM TUM TUM Discos, de propriedade da cantora. O trabalho propõe uma viagem às origens do samba, desde os fundamentos do Semba até as nuances que essa célula rítmica vinda do Congo e de Angola ganhou no Brasil, com viés para as cantigas da cultura popular do Vale do Jequitinhonha, sua terra natal: catimbós, folias de reis, cocos, batucões, acalantos, lundus. TUM TUM TUM acaba de ser selecionado para concorrer à indicação do Prêmio TIM de Música Brasileira 2007 nas categorias de Melhor Cantora, Melhor Disco Regional e Melhor Projeto Visual.

Dedica-se, ainda, à TURNÊ TUM TUM TUM/Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, dentro do projeto TIM Tambores, movimento de valorização dos tambores mineiros, idealizado por Maurício Tizumba e Grupo Tambolelê, com shows em oito cidades mineiras: Belo Horizonte, Montes Claros, Governador Valadares, Araçuaí, Teófilo Otoni, Carbonita, Bocaiúva e Almenara.

Vencedora do X Festivale - Festa da Cultura Popular do Jequitinhonha, a cantora fez participações especiais em outros trabalhos. Dentre eles, podemos destacar o CD Palmeira Seca - Chico Lobo e convidados, em dueto com Tino Gomes na faixa Marruá. Distribuído pelo selo Karmim, o disco registra a trilha sonora da minissérie de Breno Milagres para a Rede Minas de Televisão, inspirada no romance premiado do escritor mineiro Jorge Fernando dos Santos. E ainda o CD-Livro ABC da MPB, também de Jorge Fernando dos Santos, Editora Paulus. O objetivo deste trabalho é contar a história dos principais gêneros da canção nacional para crianças, jovens e adultos. Déa atuou na produção e participou como cantora convidada em seis faixas. O trabalho acaba de receber o selo "Altamente Recomendável", da Feira Nacional de Literatura Infanto-Juvenil, e vai representar o Brasil na Feira do Livro de Bolonha/Itália.

Inquieta como toda pessoa de talento, Déa Trancoso também canta na trilha de A desditosa e tragicômica história do amor de Pepeu e Marieta, espetáculo do grupo Aldeia Teatro de Bonecos; produziu o CD Outras estórias, de Wilson Dias; elabora projetos culturais; realiza workshops de voz e percussão corporal; atua como divulgadora; e já cantou em palcos importantes, como o Palácio das Artes (Belo Horizonte), o Castelinho do Flamengo (Rio de Janeiro) e o Memorial da América Latina (São Paulo). Em 2004, venceu o projeto Rumos Itaú Cultural, justamente com a pesquisa de TUM TUM TUM.

Como escreveu o crítico Ailton Magioli, no jornal Estado de Minas, "enfim uma cantora com diferencial suficiente para chamar a atenção num mercado cansado de tanta mesmice". No mesmo jornal, o escritor e repórter de cultura Carlos Herculano Lopes destacou que "Déa faz, com rara sensibilidade, deslumbrante viagem às terras de sua infância, o Vale do Jequitinhonha".

ALGUM COMENTÁRIO

De Clementina a Inezita
Déa Trancoso está entre os melhores intérpretes de minha obra musical, que já reúne perto de 60 canções gravadas. Dona de um timbre natural, voz de lavadeira, ela surpreende não só pela afinação, mas principalmente pela capacidade técnica. Artista forjada na cultura popular do Vale do Jequitinhonha, ela teve a sabedoria de estudar técnica vocal sem que isso lhe fizesse abrir mão da rusticidade aparente que se tornou a principal característica de seu estilo. Como outras cantoras de sua geração, Déa tem variada gama de influências. Poderia se dar ao luxo de interpretar qualquer gênero musical. No entanto, soube se posicionar (sem concorrência) entre Clementina de Jesus e Inezita Barroso. Tanto na escolha de repertório quanto na fidelidade às raízes.

Jorge Fernando dos Santos
compositor, escritor, jornalista

Não tenha medo do novo
Em TUM TUM TUM, a cantora e pesquisadora Déa Trancoso promove um estudo refinado e delicado, a partir dos muitos ritmos extraídos das rezas, folias, congados, terreiros, dos sembas e batuques. É bem verdade, que o repertório passeia e nos oferece o inusitado, o que foi banido do nosso cotidiano de brasileiros mulatos que somos. Déa Trancoso nobremente alinha, alinhava e borda com a sua hipnótica voz, aqui ornada por delicados arranjos, uma série de ritmos e sons latentes em nossa história. É uma grande reverência ao Brasil negro e mulato. TUM TUM TUM se banha e se espraia em águas por onde o "Brasileirinho" de Maria Bethânia também se banhou. Claro, cada qual em sua linguagem, mas cúmplices. Quase gêmeos. Duas jóias verdadeiramente raras.

Pedrinho Alves Madeira
jornalista

Jequitinhonha, Minas, Brasil
Déa, lindo o seu CD. Mergulhei nas águas de sua voz, seu canto, sua sensibilidade. O vale e o Jequitinhonha, o canto e a cultura do povo mineiro, do povo brasileiro. Maravilhado, embarquei em sua viagem. Obrigado. Parabéns.

Fernando Brant
compositor

Eternidade
O Tum Tum Tum de Déa Trancoso já nasceu eterno. O repertório de suas canções é singular, universal, revela beleza e essência. Músicas que correm no tempo, em reza e alegria, mostrando, numa produção impecável, o coração do Jequitinhonha. Vai percutir por muitos anos no seleto grupo dos discos antológicos da música brasileira.

Tavinho Moura
compositor

Para contato e maiores informações: http://www.deatrancoso.com
dea@deatrancoso.com