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oletivo Universal

TODAS AS POSSIBILIDADES COM O COLETIVO UNIVERSAL*

*Texto escrito por Don Bemfica (set/06) e publicado no site: www.naorelha.com.br

No Trama Virtual, portal de bandas, são mais de 20 mil artistas, no MySpace, conta-se dezenas de milhares. O mundo está cheio de grandes artistas e grupos, mas alguns, aos poucos, vão semeando e acendendo luzes por onde passam. É o caso do Coletivo Universal. "É difícil, mas a gente conseguiu abrir um espaço nesse mundão da música. E o legal é que criamos uma obra atemporal, que ainda vai surpreender muita gente por aí".

Quem diz é o DJ, compositor, produtor, jornalista e pensador do mercado musical, Wagner Merije, que criou o grupo em 2002. Merije é uma das pessoas mais indicadas para conversar sobre os caminhos dos destinos musicais do Brasil e do mundo. Como sugere o título de uma composição da nova safra, "Felicidade é uma viagem".

Quem ouve as músicas do Coletivo Universal logo se surpreende com os arranjos modernos, com as rimas fortes e o discurso consciente. Sem medo de ousar, eles lançaram seu primeiro CD independente em 2004 e o aparentemente estranho coquetel de sons se revelou um poderoso mix de timbres e batidas, numa fusão libertária e sutil de samba, choro, maracatu, coco e candomblé com jazz, funk, dub, tango, drum'n'bass e trilhas de cinema.

Gravado em um barracão alugado na zona leste de Belo Horizonte, com equipamentos baratos, o disco saiu com 11 faixas inéditas, contou com 15 convidados especiais, destaque para o lendário Marku Ribas, e uma capa sintomática. Nela há uma foto feita no primeiro e único show da lenda Afrika Bambaata na capital mineira, e representa o que se procurava passar com o som do Coletivo: uma galera vibrando junto na maior "positive vibration".

Da master do CD prensou-se apenas seiscentas cópias. O que não impediu que gente 'fina' conhecesse o trabalho. Foi parar nas mãos do influente DJ inglês Gilles Peterson; a música "Chao & Pigalle" (uma história verídica envolvendo o cantor Manu Chao) foi escolhida como trilha do projeto Rede Cult, da Rede Minas de Televisão; Rogério Flausino, do Jota Quest, elogiou o Coletivo no programa "Sem Censura", da TVE; duas músicas entraram na primeira coletânea da SIM - Sociedade Independente da Música; algumas músicas fizeram parte da trilha do espetáculo "Além da Lua", da Prelúdio Cia de Dança, e no site/DVD www.visualradio.com.br/vjbr; o grupo também foi destaque na revista eletrônica www.uol.com.br/frente, produzida e apresentada por Henrique Portugal, tecladista do Skank; além de ganhar comentário elogioso de Jair Oliveira no site da Trama. Sem contar que há três videoclipes, das músicas "Mil Maravilhas", "Sambampler" e "Por toda nação", e alguns remixes que amigos e DJ's fizeram para suas 'coletivas' favoritas. Isso é o que se chama de bom aproveitamento.

EVOLUINDO E CELEBRANDO

"A proposta ainda está em elaboração e acho que vai sempre ser uma coisa imprevisível essa vontade de produzir arte a várias mãos, mentes, corações, vivências", Merije reflete sobre os caminhos do Coletivo daqui para frente. "Fazer amigos através da música, expressar idéias, criar uma forma de comunicação com pessoas, mas também com o espaço, com os sentimentos, com as outras artes que interagem com a música", aprofunda-se.

Pode até parecer loucura, mas devagar esse cara de sorriso largo e fácil vai construindo sua história de DJ, compositor, produtor e aglutinador de parcerias. "Assumo meu papel de mobilizador. Quero juntar música com poesia, performance, iluminação, cenário, figurino e oferecer ao público algo novo, um show bem produzido como não conseguimos fazer ainda. Mas como diz o Mano Brown, 'o barato é loko e o processo é lento', tem uma puta estrada pela frente e para chegar lá tem que fazer passo a passo: escrever, compor, produzir, gravar, mixar, masterizar, fazer as cópias, desenvolver estratégias de promoção, vender, usar as ferramentas tecnológicas a nosso favor e, mais do que nunca, se informar sobre direitos autorais", lembra bem.

Merije batalha em várias trincheiras da música e essa disposição de guerreiro tem dado resultados, muita coisa mudou no cenário mineiro nos últimos 10 anos e ele tem grande participação nisso. Hoje transita com desenvoltura em várias áreas do universo independente. "Nos últimos 10 anos compus músicas com amigos que foram professores para mim, como o Marku Ribas, The Paula, Fernando Batata, Nagulha, Sideral, Kiko Klaus, Daniel Saavedra; toquei em várias cidades do Brasil, fiz produção de discos, trabalhei em festivais, dirigi programas de música na tv e no rádio, e isso tudo me ensinou que é preciso estudar e se dedicar para se tornar um artista mais completo. Mas cada um tem seu tempo de gestação e de elaboração de idéias", completa.

ENTREVISTA

naOrelha: Quando surgiu a idéia de criar o Coletivo Universal?
Merije: Só criei o grupo depois de ralar muito na produção de outros sons e na realização dos sonhos de vários outros amigos de gravarem seus discos. Levei tempo para ganhar confiança nas minhas idéias. O que buscava e busco é um canal de expressão diferenciado, próprio. Na época tava rolando as TAZ - Zona Temporária Autônoma e aí eu mergulhei de cabeça nesse portal para a criação. A gente vai construindo nossa história devagar, trabalhando sério em busca de oportunidades para fazer arte. Tenho um projeto de carreira musical e artística para a vida toda e o caminho são as parcerias. Agora mesmo estou estudando direito autoral, correndo atrás para esclarecer as pessoas que precisam de informação.

naOrelha: E essa história de viajar no Cirque du Soleil, explica melhor.
Merije: A inspiração para criar o Coletivo surgiu da minha admiração por grandes combos, a exemplo de uma orquestra e um circo. Coletivo Universal é um encontro de "amigos artistas" para produzir e eu me propus a ser o cara que junta tudo e transforma isto em disco, show e o que mais a gente puder. E todo espetáculo começa com uma idéia de um enredo, segue pela busca de condições para realizar, da escolha e montagem do elenco, aí vem os ensaios, as gravações, a preparação para o lançamento. Se der tudo certo, com as apresentações vêm os louros, a exposição, a conquista de reconhecimento, o registro em DVD. O Cirque do Soleil é referência pela abrangência da proposta artística deles.

naOrelha: Como foi a experiência de gravar o seu primeiro disco?
Merije: Passamos um ano gravando, experimentando sons, timbres, arranjos. Reescrevi várias vezes as letras. E tudo isto me ensinou muito e vi que com criatividade dá para tornar as idéias viáveis e lançá-las ao mundo. O retorno que a gente tem hoje das pessoas é incrível: todo mundo gosta 'de cara' do disco.

naOrelha: O universo do Coletivo está movimentado, convites para shows, projeto de novo CD... quais os próximos passos?
Merije: Vamos gravar o segundo disco com melhores condições técnicas e com o apoio de um produtor escolhido a dedo. Vai ser um trabalho de pesquisa e expressão musical forte, algo como uma road opera com balanço, suingue, psicodelia e experimentação. E terá a participação de um monte de parceiros novos. A proposta é que cada disco do Coletivo seja como uma celebração, uma história contada por aqueles que os caminhos do destino uniram em torno da inspiração universal. A música é importante demais para mim e para toda a humanidade e quero contribuir com grandes canções para que o dia-a-dia das pessoas seja melhor.

naOrelha: você apresentou no ano passado um programa de tv e de rádio que se chama "Música Independente", como é esse projeto?
Merije: É um projeto muito importante, por ser realizado em conjunto pela Secretaria de Cultura do estado de Minas Gerais com a Rede Minas de Televisão, a Rádio Inconfidência e a S.I.M, Sociedade Independente da Música, uma associação de músicos, produtores e comunicadores. Está no ar e mostra todo sábado um novo artista mineiro ao vivo em um teatro bem bacana que fica no Palácio das Artes, um centro cultural no centro de Belo Horizonte. Está no rádio e na tv e, para nós que estamos fora do eixo Rio-São Paulo, esse programa é fundamental. A música de Minas está fervendo, tem som bom pra caramba. E a galera está interagindo mais, como no projeto Stereoteca, que promove encontros musicais inusitados dentro da Biblioteca Pública de BH e que no ano que vem deve ir para outras cidades.

naOrelha: Como DJ, produtor e jornalista, você está sempre ligado em sons e movimentos de todas as épocas e lugares. Dê algumas dicas para nossos leitores, ouvintes e internautas?
Merije: Tem muita coisa boa acontecendo nesse mundão e na música então, a "panela de expressão" está no fogo. Dou o maior valor para os sites que abrem espaço para os independentes e eles vão crescer muito, como o NaOrelha, Coquetel Molotov, Giro Cultural, MP3magazine, Frente, Bocada Forte, Radiola Urbana, entre outros; artistas da vanguarda tem muitos, ouçam Berimbrown, Kiko Klaus, Fungos Funk, SoulZé, Barbatuques, Trovão das Minas, F.UR.TO, Makely Ka, Pedro Morais, Coletivo Rádio Cipó, Monjolo, Maurício Negão, Porcas Borboletas, Vulgaris, Proa, Manobra, Black Sonora, NUC, Preto Massa, Somba, Músicas Intermináveis para Viagem, Diamond Dog, Low-Fi, Leal SoundSystem, Stéreo Aurora, Planctone, Gabriel Muzak, Pereira da Viola, The Paula, Meninas de Sinhá, Curumin, CowJuk, Mestres da Guitarrada, Marechal, Kamau, Mamelo Sound System e por aí vai; tem as rádios comunitárias, que são parceiras e estão abertas para tocar os sons novos; outra dica forte para quem cria e trabalha com música é o Guia do Mercado Brasileiro da Música, editado pelo Escritório da Música Francesa no Brasil. Para quem quer levar sua música para outros países tem o site www.bma.org.br e o www.cultura.gov.br. Um movimento bacana que tá rolando também é a associação dos festivais, em torno da Abrafin e isso vai dar um gás no circuito de shows no Brasil.

naOrelha: E para terminar, onde ouvir o DJ Merije e o Coletivo Universal?
Merije: Sou DJ residente da festa SamBaCana Groove, que rola no Copam, na avenida Ipiranga, em São Paulo, há três anos. Atualmente integro também o projeto Inspiração Racional, fazendo releituras libertárias de músicas raras e Racionais do mestre Tim Maia, além é claro, de músicas próprias. Para ouvir o nosso som, se liguem aí nos sites abaixo... No mais, nossa vida é uma música, nossa vida são várias músicas. Bendita seja a música entre as artes. É preciso continuar a lutar por dias melhores. Poesia salva, música salva, Hip Hop salva.

Para contato e maiores informações: vibezbrasil@hotmail.com
www.tramavirtual.com.br/coletivo_universal
www.myspace.com/coletivouniversal
http://inspiracaoracional.multiply.com
http://www.rraurl.com/cena/especial.php?rr_especial_id=2117
http://www.resfest.com.br/home/filmes/filme_detalha_action.php?id=197&idmenu=11